Muitos Educadores/Pais questionam-se sobre as suas atitudes na educação das crianças. Em determinados momentos são educadores intransigentes, impõem regras e obrigam a criança a cumpri-las, enquanto noutros, dão liberdade a mais, ” fecham os olhos” e satisfazem os pedidos ou caprichos. Devemos então ser educadores permissivos ou mais autoritários?
Uma educação permissiva baseia-se na ideia de que a criança tem um ritmo de desenvolvimento próprio no qual os adultos não devem interferir. É a criança que decide o que quer fazer, como e quando, sem ser conduzida nem corrigida pelos educadores e pais. Este método diz NÃO à regra mas SIM à liberdade, e acredita que só assim as crianças serão mais criativas e espontâneas.
Se reflectirmos sobre este estilo educacional somos tentados a pensar; então a permissividade é o método ideal para educarmos as crianças, afinal se os educadores e pais não impõem limites nem regras a criança não tem motivos para fazer birras, ser rabugenta ou rebelde, no fundo, ela tem tudo aquilo que ambiciona.
Este pensamento é aprazível mas infelizmente utópico. A prática demonstra que as crianças que são educadas segundo o estilo permissivo, sem limites nem imposições dos progenitores, não são nem mais calmas nem menos agressivas. Para elas, a permissividade mais cedo ou mais tarde, é interpretada como abandono, falta de atenção e orientação, e por isso sentem-se perdidas e sós.
Portanto enumero aqui alguns passos do que NÃO deve fazer:
A educação autoritária é o oposto da permissiva, os educadores e pais recorrem constantemente às regras e aos limites, obrigam a criança a cumpri-los sob ameaça de castigos. São os pais que a orientam, dão-lhe uma liberdade controlada, não satisfazem as vontades nem cedem às chantagens.
Mas afinal, que estilo de educação devemos escolher?
O melhor estilo educacional é o democrático!
Um bom educador é aquele que consegue encontrar um equilíbrio, entre um estilo permissivo e o autoritário, mas para além disso, também sabe ser compreensivo e justo. É o caso dos educadores que perante determinados assuntos não vacilam, e por isso impõem limites e obrigam a criança a respeitá-los, e noutros, compreendem, analisam o comportamento da criança e actuam pedagogicamente, ensinando-a a ser feliz.
Os limites na educação das crianças são ingredientes essenciais para que elas possam crescer saudáveis e prepararem-se convenientemente para a vida adulta. Os limites permitem lidar com a frustração, dar prioridade às vontades e lutar pelos objectivos. Sem limites não pode existir nem individualidade nem identidade. A falta de limites condiciona o desenvolvimento da autonomia e da independência da criança.
Assim, quando os pais não satisfazem de imediato um desejo à criança, não estão necessariamente a criar-lhe um complexo, pelo contrário, estão a educá-la, principalmente quando lhe explicam porque razão não satisfizeram o pedido dizendo-lhe do que deverá fazer para o ver realizado.
E quanto mais pequena for a criança mais claros e estritos devem ser os limites estabelecidos pelos pais e educadores.
Atitudes de um bom Educador:
A criança precisa de parâmetros. Os adultos, são responsáveis directos no que diz respeito à sua aprendizagem, porque as crianças buscam neles um reforço, seja ele negativo ou positivo. Por isso, é preciso estar atento aos comportamentos que tomamos pois o que fazemos é imitado pelas crianças. Se dizemos que uma atitude não é correcta e mesmo assim a fazemos, com certeza a criança ficará insegura, não acreditará no que lhe é dito e fará exactamente o que não devia, já que ela aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve.
Portanto o educador deve explicar sempre quando e porquê as suas acções lhe são permitidas a si e à criança não. O educador deve referir as razões de capacidade, idade, segurança, adequação ou responsabilidade. O educador nunca deve ter medo de dizer "não", mas também deve explicar sempre o porquê. O Educador tem de deixar a criança colaborar, na medida do possível e por fim quando e sempre que for possível deve e tem a obrigação de ensinar.